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Lições do México e da Colômbia sobre o próximo desafio dos pagamentos em tempo real na América Latina

28 de outubro de 2026

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A maioria dos relatos sobre a trajetória dos pagamentos em tempo real na América Latina começa pelo grande sucesso do Pix no Brasil. Ou interpreta o crescimento do continente apenas por meio de estatísticas regionais, como se todos os países estivessem no mesmo estágio de maturidade.

O Relatório Adaptive Banking da SoFi Tech Solutions conta uma história mais complexa no México e na Colômbia — uma história que oferece pistas úteis sobre os próximos rumos do mercado.

O SPEI do México é um dos trilhos de pagamentos em tempo real mais consolidados do continente, com quase duas décadas de existência. Mesmo complementado pelo CoDi e pelo DiMo, ainda não substituiu totalmente o dinheiro em espécie. Já o Bre-B da Colômbia foi lançado em 2025 e, desde então, integrou dezenas de milhões de usuários. Um mercado enfrenta um problema de confiança. O outro, um problema relacionado ao volume de onboarding.

Na verdade, essas duas economias mostram dois caminhos diferentes para o mesmo dilema: quando a velocidade dos pagamentos se torna um dado adquirido, os atritos e gargalos migram para trás da interface — para sistemas antifraude, fluxos de onboarding, livros contábeis legados e ciclos de lançamento que a maioria dos clientes nunca vê.

Principais conclusões

  • As limitações aparecem de formas diferentes de acordo com a maturidade do mercado: a Colômbia enfrenta dificuldades de onboarding e capacidade de back-end diante da adoção de um novo trilho, enquanto o México ainda lida com questões não resolvidas de confiança em relação a fraudes e com ciclos de lançamento lentos, mesmo após duas décadas de investimentos em infraestrutura.

  • A Colômbia demonstra que uma adoção sem atritos pode superar, ao mesmo tempo, o nível de preparação de vários sistemas, e não apenas de um ponto de falha evidente.

  • Infraestrutura avançada e confiança do consumidor são variáveis distintas: o México mostra que resolver uma não resolve automaticamente a outra.

  • As instituições financeiras dos dois mercados reservam os dados em tempo real quase exclusivamente para fraude e compliance, deixando a personalização para setores que carregam um peso regulatório muito menor.

1. Quando os trilhos de pagamento funcionam, a velocidade deixa de ser um diferencial

O ecossistema SPEI do México e a rede Bre-B da Colômbia fizeram com que transferências de dinheiro rápidas e interoperáveis se tornassem praticamente um dado adquirido. Apenas cerca de 7% dos executivos de tecnologia nos dois mercados apontam a velocidade de execução das transações como uma reclamação recorrente dos clientes.

LMC — Colombia’s Back End Is Playing Catch-Up
LMC — Colombia’s Back End Is Playing Catch-Up

O dado mais revelador está uma camada abaixo. Quando perguntados sobre o que falharia primeiro se a demanda por transações aumentasse dez vezes, 45,7% dos líderes de tecnologia financeira nos dois mercados apontaram os sistemas de fraude e risco, e não o próprio trilho de pagamento. É provável que esses tipos de efeitos de segunda ordem se repitam à medida que as redes de pagamentos em tempo real amadureçam em toda a região: assim que um mercado estabelece o trilho, ele deixa de ser o foco da história. O verdadeiro diferencial passa a ser a maneira como bancos e fintechs lidam com tudo o que existe ao redor desse trilho.

Para os provedores, isso muda as prioridades de infraestrutura: em vez de movimentar o dinheiro com mais rapidez, o foco passa a ser um monitoramento mais inteligente, com visibilidade sobre a atividade de pagamentos, aplicação de controles de risco à medida que as transações acontecem e conciliação precisa em grande volume, sem causar atritos desnecessários.

2. A Colômbia mostra o que acontece quando o back-end precisa alcançar o front-end

As llaves do Bre-B tornam o envio e o recebimento de dinheiro praticamente livres de atritos para os consumidores. Mas essa velocidade e simplicidade estão sobrecarregando os sistemas que operam nos bastidores.

69,1% das empresas colombianas afirmam que limitações de back-end reduzem sua capacidade de inovar, em comparação com apenas 19,6% no Brasil.

O que diferencia a versão colombiana desse problema é a forma como a pressão se espalha por toda a pilha tecnológica: os livros contábeis centrais (27,2%) e as integrações com terceiros (16,0%), em conjunto, geram quase tanta preocupação entre os executivos quanto os sistemas antifraude sozinhos (38,3%).

O que isso significa para mercados que podem enfrentar dificuldades semelhantes quando a velocidade multiplica o volume de transações? Talvez não exista um único ponto de falha a ser corrigido — a fragilidade pode atravessar todo o back-end de uma só vez. Isso também aparece nas avaliações dos próprios executivos sobre o nível de preparação: apenas 6,2% das organizações colombianas acreditam que conseguiriam ampliar sua infraestrutura em dez vezes no prazo de sete dias, em comparação com 63,0% no Brasil.

Um front-end sem atritos pode avançar mais rapidamente do que um back-end legado, superando o que a maioria dos roadmaps prevê. Os mercados que ainda estão adotando trilhos em tempo real devem prestar atenção: a simplicidade do front-end e a modernização do back-end precisam avançar juntas, ou aquilo que deveria funcionar de forma invisível nos bastidores começará a falhar de maneira visível diante do cliente.

LMC — Colombia’s Back End Is Playing Catch-Up
LMC — Colombia’s Back End Is Playing Catch-Up

3. A adoção rápida pode criar seu próprio gargalo no onboarding, e não nos pagamentos

O Bre-B adicionou mais de 30 milhões de usuários e processou 670 milhões de transações em seus primeiros seis meses. Essa é a curva de adoção que toda rede de pagamentos em tempo real da América Latina deseja. É também por isso que quase 20% dos provedores financeiros colombianos agora apontam a expansão da base de novos usuários como seu maior desafio disruptivo, diante de uma média regional de 7,7%.

Os consumidores podem vincular uma llave em segundos. Mas os sistemas de verificação de identidade, criação de contas e suporte que operam por trás desse momento muitas vezes não conseguem absorver o aumento resultante da demanda, o que gera falhas nos horários de pico e atrasos no onboarding que não acompanham o ritmo. Essa é uma parte da história da adoção que as manchetes sobre crescimento costumam ignorar. As conclusões da SoFi Tech revelam essa tensão: uma rede de pagamentos pode alcançar sucesso comercial e, ainda assim, expor uma lacuna na capacidade de onboarding, KYC e tratamento de casos. Para os provedores de outras partes da região que acompanham a rápida adoção de um trilho, a questão prática não é o quanto os números de novos usuários parecem impressionantes, mas o que falha quando 30 milhões deles chegam em seis meses.

4. O México prova que uma infraestrutura avançada não gera confiança automaticamente

O México tem, possivelmente, a pilha de pagamentos em tempo real com mais camadas da região. SPEI, CoDi e DiMo construíram bases sólidas ao longo de quase duas décadas. Ainda assim, 50,9% dos provedores financeiros mexicanos afirmam que as preocupações com fraude e segurança são o maior problema relatado pelos usuários — cerca de 11 pontos percentuais acima da média regional —, e quase metade das fraudes relatadas ocorre durante a transação.

Essa é a evidência mais clara, em qualquer um dos dois mercados, de que a maturidade da infraestrutura e a confiança do consumidor avançam por caminhos distintos. Um país pode resolver a infraestrutura de pagamentos e, ainda assim, ver milhões de consumidores optarem pelo dinheiro em espécie, não apenas por hábito, mas porque os trilhos digitais ainda não conquistaram sua confiança. Para a região, isso serve de alerta contra o uso dos números de adoção dos trilhos como indicador de confiança. Eles medem coisas diferentes.

5. Os bancos mexicanos mostram o que acontece quando a pressão das fraudes encontra ciclos de lançamento lentos

O México agrava sua lacuna de confiança com um problema de velocidade de desenvolvimento concentrado quase inteiramente dentro das instituições financeiras. 86,7% das empresas mexicanas de serviços bancários e financeiros precisam de mais de três meses para implementar uma atualização simples de funcionalidade, em comparação com apenas 14,3% das empresas mexicanas de TI e telecomunicações que atuam no mesmo mercado e enfrentam o mesmo ambiente de fraude.

Essa diferença importa porque os padrões de fraude não esperam por ciclos trimestrais de lançamento. Um provedor que precisa de três meses ou mais para ajustar um controle está, na prática, combatendo a fraude de hoje com as defesas do trimestre passado. A comparação entre os bancos mexicanos e as empresas de TI e telecomunicações é útil: mostra que o atraso não é simplesmente uma limitação de todo o mercado. É uma limitação arquitetônica específica da maneira como as instituições financeiras construíram, ou herdaram, seus sistemas.

LMC — Mexico Mature Rails, Unresolved Trust
LMC — Mexico Mature Rails, Unresolved Trust

6. Setores adjacentes mostram aos serviços financeiros como é, de fato, a personalização em tempo real

Nos dois mercados, setores não financeiros já fazem com os dados de transações aquilo que bancos e fintechs ainda não conseguiram fazer. No México, apenas 33,3% das empresas dos setores bancário, financeiro e de seguros usam dados em tempo real para criar experiências proativas para os clientes, em comparação com 80% das empresas de varejo, hotelaria e serviços de alimentação e 72,7% das empresas de viagens e hospitalidade. A Colômbia apresenta o mesmo padrão: 28,6% nos serviços financeiros, diante de 83,3% em viagens e hospitalidade e 62,5% nas empresas de varejo, hotelaria e serviços de alimentação.

A infraestrutura para a personalização em tempo real — dados conectados de transações e clientes — já existe, em grande parte, dentro dessas instituições financeiras. A maioria a utiliza quase exclusivamente para fraude e compliance, não para a experiência do cliente. Esse desequilíbrio, mais do que qualquer falta de capacidade em tempo real, faz com que os serviços financeiros fiquem atrás de setores que carregam um peso regulatório muito menor.

O que isso significa para o restante da América Latina

Colômbia e México podem ser casos atípicos interessantes, mas também são dois retratos da mesma transição em velocidades diferentes. Uma rede mais recente (Bre-B) mostra como é a pressão sobre o onboarding e o back-end no primeiro ano. Uma rede madura (SPEI) mostra como são as questões de confiança não resolvidas e os ciclos de lançamento lentos após duas décadas. Qualquer mercado da região que esteja adotando trilhos em tempo real se encontra em algum ponto desse mesmo caminho, seja após seis meses ou vinte anos.

As implicações de infraestrutura que se aplicam aos dois mercados:

LMC — Six Capabilities to Modernize Next
LMC — Six Capabilities to Modernize Next

Uma arquitetura orientada por APIs — que conecte trilhos de pagamento, serviços de conta, controles de risco e canais de atendimento ao cliente por meio de uma camada compartilhada — permite que os provedores eliminem essas lacunas sem substituir totalmente o core. O Payments Hub da SoFi Tech Solutions reúne ACH, Same-Day ACH, transferências eletrônicas e trilhos em tempo real em uma única integração. Isso significa que a autorização, o lançamento contábil e a decisão sobre fraude fazem parte do fluxo da transação, em vez de serem adicionados posteriormente. A Payment Risk Platform aplica a mesma lógica especificamente à fraude, processando mais de 130 milhões de transações por mês com decisões em menos de 90 ms.

Conheça como o Payments Hub e a Payment Risk Platform da SoFi Tech Solutions abordam as limitações identificadas nos relatórios Adaptive Banking da Colômbia e do México. Depois, entre em contato com a equipe para definir um caminho de modernização em fases para um mercado específico.

Perguntas frequentes

Os dados sobre reclamações normalmente indicam o caminho. Clientes que mencionam atritos no onboarding ou atrasos de escalabilidade sinalizam um problema de capacidade — nesse caso, é preciso corrigir primeiro os sistemas de onboarding e identidade. Clientes que mencionam preocupações com fraude ou segurança, apesar de os trilhos serem rápidos e funcionarem bem, sinalizam um problema de confiança, o que exige uma resposta visível e em tempo real às fraudes antes que investimentos no front-end possam gerar resultados.

Três sinais costumam aparecer antes que a limitação se torne pública: o aumento da preocupação dos executivos especificamente com os sistemas de fraude e risco, e não com o processamento de pagamentos de forma geral, quando o tema é escalabilidade; uma diferença cada vez maior entre a integração em tempo real para fraude e compliance e aquela destinada a funções voltadas ao cliente; e prazos de lançamento de produtos que permanecem estáveis mesmo com o aumento do volume de transações. Qualquer um desses sinais, isoladamente, é normal. Dois ou mais em conjunto costumam anteceder o tipo de limitação que Colômbia e México enfrentam atualmente.

Não — a velocidade continua sendo um requisito de entrada. Redes como Bre-B e SPEI alcançaram sucesso justamente porque resolveram a questão da velocidade de forma tão convincente que os clientes deixaram de percebê-la. A velocidade não deixou de ser importante; ela deixou de diferenciar um provedor de outro depois que o trilho de pagamentos em tempo real de um mercado foi estabelecido, o que transfere a pressão competitiva para tudo o que é construído ao redor desse trilho.

Não necessariamente. Uma camada orientada por APIs pode conectar os sistemas bancários, contábeis e de processamento existentes a recursos modernos de risco, onboarding e pagamentos, permitindo que os provedores modernizem sua infraestrutura em fases, de acordo com a localização do gargalo específico.

Começar pela capacidade vinculada a um indicador que a liderança já acompanha — perdas por fraude, abandono no onboarding ou duração do ciclo de lançamento — tende a gerar mais rapidamente o apoio interno necessário para a próxima fase do que começar por uma atualização de infraestrutura que ainda não esteja ligada a um número visível.

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